Carta de Maringá

15 de dezembro de 2015

Carta de Maringá

21 de abril de 2015
Experimentamos realidades profundas nestes quatro últimos dias. Verdade, paixão, discernimento, compaixão, convocação, amor… Fomos convidados a mergulhar no chamado de Deus para nós. Somos jovens e não estamos sozinhos!

Aprendemos que vocação não é simplesmente um conceito teológico; é uma experiência espiritual de descoberta e encontro com os mandatos de Deus para a humanidade e para a igreja. É a vocação de Deus que nos encontra, e não o contrário. A missão é de Deus, não nossa. A missão divina consiste em reconciliar com Cristo todas as coisas (2 Co 5.18-19).
Aprendemos, então, que Deus nos chama para assumirmos nossa responsabilidade diante de um mundo cada vez mais dinâmico, no entanto, vazio de propósitos. A juventude global perde-se no secularismo e no consumismo.
Ouvimos histórias de gente que reconheceu a voz de Deus e como isso fez grande diferença em sua caminhada pessoal, espiritual e social. Conhecemos ainda iniciativas conduzidas por jovens que expressam o amor divino em muitas dimensões, e assim fomos encorajados e inspirados ao engajamento na causa missionária.
Nós nos surpreendemos com os desafios brasileiros. Nos emocionamos com o recado dado pela igreja indígena: “nos ame”. Sim, esta é a comissão, e sempre foi: amar. Há muito o que fazer no panorama indígena no país: somente cinco das 342 etnias indígenas brasileiras possuem a Bíblia toda traduzida em sua própria língua; o alcoolismo degrada homens e mulheres; o direito à terra é desrespeitado; leis são elaboradas e prejudicam nações indígenas; e a falta de cidadania e cuidado de saúde encurtam seus horizontes.
Nós nos constrangemos com a nossa própria falta de iniciativa diante de problemas sociais tão graves, como: o homicídio de crianças e adolescentes, a “epidemia” das drogas, a desigualdade social, a corrupção e muitos descaminhos políticos que enfraquecem a democracia e tornam os jovens ainda mais vítimas, e até como se fossem os principais culpados pela criminalidade.
Também há desafios mundiais. São guerras, perseguições religiosas, pobreza e mais de dois bilhões de pessoas que precisam conhecer o amor de Deus. O que faremos? Neste momento, lamentamos e choramos pelos jovens trabalhadores cristãos que têm sido martirizados por sua fé em Jesus Cristo.
Contudo, também celebramos a presença de Deus em nosso meio e nos alegramos com o jeito criativo e atual com que podemos expressar esse bem. Somos gratos pela comunhão espontânea, sincera e prazerosa que experimentamos e que fortalece nossa fé.
Saímos do Vocare, talvez com mais perguntas do que respostas; mesmo assim, com convicções fundamentais. Deus nos chama, segundo a sua Palavra. Deus nos desafia a ouvir sua voz. Deus comissiona, sim, alguns de nós para chamados específicos. Cristo é o modelo central do envio missionário. Deus nos orienta a caminhar com ele até o fim.
Com temor no coração, mas também com a coragem que somente a fé em Cristo nos dá, queremos assumir os seguintes desafios concretos:
1. Buscar ouvir intensamente a voz de Deus para cada um de nós, mesmo que isso gere crises e desafios. As surpresas, as crises e as oportunidades farão parte desta busca. Que comece imediatamente! Que sejamos mesmo aqueles que “transtornam o mundo” (Atos 17.6)!
2. Lutar por uma igreja evangélica mais unida, contextualizada, compassiva e missionária. Precisamos de uma renovação tanto pessoal quanto comunitária. Não nos conformamos, por exemplo, com a perseguição religiosa (em especial, contra os cristãos) que está ganhando força no mundo. Também queremos responder aos desafios missionários da Igreja Brasileira, como: os ciganos, os indígenas, os ribeirinhos, os sertanejos, os quilombolas, os imigrantes e os surdos.
3. Servir à sociedade com amor sincero. Não queremos ser cristãos apáticos, indiferentes. Queremos mostrar nossa cara e enfrentar a injustiça de uma sociedade cética, violenta, individualista, materialista e que, por causa do consumismo, degrada a criação de Deus.
4. Trabalhar por uma democracia plena, que respeite o ser humano, como “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1.26), e que não desrespeite o que sustenta nossa nação. Como sugestão prática e imediata, podemos participar da petição por uma Reforma Política que iniba a corrupção e aperfeiçoe as regras democráticas.
5. Nos juntarmos ao Vocare como um movimento vocacional contínuo que ajude cada jovem a buscar e encontrar sua própria vocação e o propósito de Deus, seguindo (sempre, sempre e sempre) os passos de Jesus Cristo.
Que o Deus que nos chama nos sustente até o fim!
Amém!

Participantes do Vocare 2015

#Vocare2015